sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Trabalhadores polvo, a nova versão da "modernidade"...!

Agora com as ameaças de retirada de direitos trabalhistas, segundo esse governo, e o que transita pelo congresso mais vendido da história, trabalhadores podem ficar à mercê de super exploração.

A tal "flexibilização" das leis trabalhistas, visam a retirada de conquistas históricas, segundo o governo para enxugar custos, baratear a contratação.

Esses direitos, e seus resultados financeiros vão diretamente para o patrão. Assim a renda concentra mais um pouco.

E o trabalhador e trabalhadora, diante da ameaça do desemprego se vê muitas vezes, como vem ocorrendo muito hoje, na obrigação e cobrança de realizar múltiplas tarefas, que antes eram exercidas por outro ou outros trabalhadores.

Assim vão se tornando como polvos, seus tentáculos precisam chegar a mais atividades, e não podem errar, pois serão cobrados pelos erros.

Ainda surge na mídia, a expressão "modernização" das leis trabalhistas.



O que há de moderno em retornar ao século dezenove?

sábado, 28 de janeiro de 2017

Corrupcionismo democrático

Já andei publicando isso há algum tempo. É que a constatação mais próxima da realidade que alcancei, é que vivemos num outro esquema de sociedade.

Uma fórmula em que tudo que se refere a poder e a gastos do poder, passa por um esquema, bem montado etc. e tal e que é baseado minuciosamente em corrupção.

Assim como não é possível ter um policial de prontidão em cada esquina para evitar um assalto, também não é possível ter uma lavajato para cada caso de corrupção. 

Assim na base do boi de piranha, um ou outro cai na investigação, enquanto que os outros 99 por cento prosseguem seu roteiro.

Entendo o país organizado desta forma, infelizmente.

Já ouvi inclusive a conclusão de um promotor, que disse que a corrupção não é um caso isolado, aqui e ali que se investigue e descubra.

Parece ser uma regra adotada em toda parte.

Daí a conclusão básica de qual seria o nome mais indicado para traduzir nosso sistema político.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O que se consome também é devastação!





Na real estava sentindo como seria bom notar a brisa do vento e seu efeito na natureza. 

Imaginei então uma ampla área verde, cortada por uma estrada. Alguns animais privilegiados se alimentavam, umas vacas.







 Quando o vento soprava as pastagens mexiam-se como se fosse por um toque, como plumas ao suave sopro.

Quanta paz, e quanto engano. 

Aquilo era o inverso do natural, e me detive por alguns instantes nessa imaginação, por um motivo qualquer que só depois fui notar.

Também o que o homem consome é parte da razão de suas tragédias.

???

Os pobres animais que avistei, são apenas vítimas dessa cultura. O gado.



Consumido ao extremo e em cada milímetro de sua carne e até de sua imagem. 

Publicitários já usaram a imagem do animal para colocar canções publicitárias em suas bocas, já o fizeram dançar e até lançar marcas, novas marcas de alimentos, novos logos...

Mas o animal é vítima, da fúria que devora e que poucos percebem. Vítima da super exploração.

O desejo de comer carne, as churrascarias, os prazeres do churrasco. Tudo o que envolve a carne de grandes animais bovinos.

Para criá-los é preciso derrubar árvores, e criar grandes pastagens, áreas verdes. Aqueles que me deparei observando o suave toque do vento.



Então onde antes havia vegetação nativa, com inúmeros habitantes de uma extensa fauna, resta a pastagem. 

Por um momento pode-se iludir com a paz que uma imagem dessas traz com o toque do vento.

Mas a devastação, produz efeitos catastróficos.  Seca intensa, chuvas torrenciais, e tudo o que assistimos. 

Parte da tragédia ambiental que vivemos nestes últimos anos, também é fruto do que consumimos.




O natural, o que faria muito bem ao planeta, seria preservar a maior extensão possível de mata nativa.

Evitando, ao menos em parte, a fúria da natureza. 





Foi então que notei que nem sempre o leve toque de vento, indica só a paz e a tranquilidade.





Pode ser um alarme.





















sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Aliança vistosa

Se você entregar uma aliança a seu par, que seja o brilho de seus sentimentos verdadeiros. Por que se for um ato apenas de amostragem, o efeito pode ser devastador.


                    Conto: Aliança vistosa





Doni é o que se pode considerar um sujeito comum como milhares de brasileiros.  Ele mesmo se considera um cara meio sem muito tchan. 

Feio, sem grande charme, sem namorada e dando um duro danado pra sobreviver com sua moto, trabalhando o dia todo e todos os dias da semana.

Quer dizer nem todos, o fim de semana pelo menos tirava pra tentar a sorte. Ficar à toda, passear.

E tentar a sorte até que tentava mesmo, estava sempre ligado naqueles aplicativos de encontros e namoros, nada sério, tipo uma pescaria mesmo.

Naquele sábado, pouco depois de uma da tarde estava caminhando sem muita pretensão, talvez resolvesse parar numa lanchonete, ou encontrar alguém pra conversar.

Mas aí o improviso, dá um sinal, um toque que se referia ao aplicativo, aquele:  Helô, uma jovem de cabelos lisos, queria contato.

Mais que depressa Doni dá sinal de vida, oi linda, td bem?
Helô: vc tá a fim de se divertir hoje?
Doni: to sim.
Helô: vc tá onde?
Doni: na zona sul e vc?
Helô: na leste, qto tempo vc acha que leva pra chegar aki?

Caramba era início de tarde, de um sábado nem poderia imaginar um encontro a essa hora, assim de repente, teria que voltar pra casa, se arrumar. Pensou rápido.

Doni: na leste onde?
Helô: Tatuapé.
Doni: umas duas horas mais ou menos.
Helô: To te esperando. Vc vem como?
Doni: de moto.
Helô: então deixa no shopping aki, e me avise.
Doni: Já to me arrumando.

E foi uma correria, pra tudo dar certo, de repente seria seu dia de sorte.  

Já estava no banho pensando que roupa iria vestir, e não tinha muito tempo, não iria deixar passar uma oportunidade dessas.

Ligeiro como quem sabe muito bem, que pra um cara de poucos atributos, uma chance dessas tinha que ser abraçada por inteiro!

E em questão de pouco menos de duas horas, estacionava sua moto no shopping, conforme combinado, e enviou nova mensagem:
Doni: Já cheguei.
Helô: então me aguarde no ponto de táxi no lado externo.

Doni se dirigiu para lá, e aguardou poucos instantes, até que avistou um belo veículo branco, desse grandes, tipo a suv, poderia ser uma dessas super marcas que ele nem estava habituado.

Dois sinais de faróis foram o suficiente e ele se aproximou. Vidros escuros, e do lado da motorista, baixou só um pouco e Doni pôde ver a gata que era Helô:

- Entra logo.  

E então deu a volta e assentou-se. Bela visão, ela estava de mini saia com suas pernas lisas bem cuidadas. 

Chamou a atenção a aliança, daquelas grossas, bem vistosa, na mão esquerda de Helô, mas as pernas chamavam mais atenção ainda e Doni não resistiu.

Colocou a mão sobre as pernas dela acariciando, e ela deu-lhe um beijo no rosto, bem perto da orelha, e perguntou: Tá mesmo a fim de se divertir?

- Na hora, to sim.

- Então vou te levar pra um lugar bem legal.

Acionou o carrão e saíram. Em poucos instantes entravam num motel de luxo, muito incrementado.

Ao entrar no estacionamento, o motor foi desligado, a garagem se fechou. E o abraço foi bem retribuído, com caricias, beijos e tudo mais.

Mas Helô se mostrava muito decidida e no controle: Vamos subir, quero me divertir muito.

Desceram do carro, e ela pegou na mão de Doni e o puxou para o quarto muito requintado, mas nem deu tempo  de olhar pra nada.

Carícias, e mais carícias, entregaram-se plenamente ao amor. Perderam a noção do tempo.

Já mais saciados, Doni se mostrava fascinado por aquela conquista, ela o olhou com um leve sorriso, e logo apalpou o celular. 

- Você vai me passar seu número?

Helô, respondeu prontamente: não mesmo. Isto fica por aqui.

- Não faz isso gata, quero muito pode te rever.

- Eu não sou assim, sou casada e nunca fiz isso antes.

Aí Doni se espantou, não esperava essa resposta, ainda que aquela aliança vistosa havia lhe chamado a atenção desde que a avistou na primeira olhada.

E Helô prosseguiu, apanhando seu aparelho, mostrou a foto: - Tá vendo esse aqui? é meu marido.  E essas duas aqui, aquela da esquerda foi a que teve um caso com esse sacana.

Aí a coisa começou a se esclarecer. E Helô ainda foi mais adiante.

Nunca havia feito uma coisa dessas, mas foi o jeito que ela achou de dar o troco, e tinha mais ainda:

- Faço questão de pagar tudo com o cartão daquele fdp.
Vamos pedir um almoço completo, com tudo que tem de melhor. 

E assim seguiu aquele sabadão de muita sorte, para o Doni, que não esperava tanto, mas bem que queria mais umas bicadas.  

Entre o pedido e a vinda da refeição, aproveitou um pouco mais do tempo para mais algumas caricias.

Naquela tarde o brilho reluzente da vistosa aliança, refletiu uma imagem diferente, talvez a mesma do sentimento que envolvia aquela união. De aparência.





quinta-feira, 9 de julho de 2015

Divindade dos números

Estava pensando nos números, na má utilização que vem sendo empreendida, a ponto de fazer desacreditar da matemática.

Como podem usar os números para oprimir? pensava.

Metas no ambiente de trabalho, medição matemática do alcance, da falta de atingimento, e etc...




Mas esta não deve também ter sido a única coisa divina, que o ser humano vem usando para distorcer, e fazer mau uso.





Não, por favor não vá agora, espere mais um pouco...   Havia uma bela sensação de inspiração sobre números. Que coisa, queria sentir mais um pouco essa brisa...

E ela veio, assim como um leve toque do vento.

Vamos embarcar nessa imaginação.

Voando sobre números, para conhecer um pouco sobre a divindade, a precisão que eles, os números possuem.





Cavalgava assentado sobre o número oito, perfeito.

Ao centro deste número o assento. Pouco mais adiante, na borda do primeiro arco, saiam duas asas, leves como plumas.






Assim voava levemente sobre um universo de números, que a princípio não compreendia bem.

Aí surgiu a primeira inspiração, o cinco 5, definido como um número perfeito. 

Mas por que?

Ah, temos cinco dedos em cada mão, em cada pé.   Mais ainda:

Dois olhos para enxergar, dois ouvidos para ouvir, uma boca para comunicar. CINCO. 

Representa a fonte concedida para nos guiar nesta vida. 








Quatro mais um. O que? um jogo da perfeição matemática, os quatro importantes membros do corpo humano: as duas pernas com os pés nas extremidades, os dois braços com as mãos nas extremidades. Coordenando esses quatro 4 membros, a cabeça. 4 + 1.






Dois 2, outro número que mostra nossa união, dois braços, duas mãos, dois pés, dois ouvidos, dois olhos. E um também, 1.

Um? é que na falta de um deles, o outro, o um pode também assumir ainda que com alguma dificuldade, a continuidade dos movimentos, da vida.

E quanto mais compreendia a perfeição divina dos números, mais leve me sentia, por me libertar daquele sentimento opressivo que os números causavam, devido ao mau emprego por parte de pessoas ainda sem conhecimento divino.






Ainda haveria milhares de outras informações que poderiam ter chegado, mas parece que a viagem imaginária, neste momento, estava prevista para apenas um breve instante.

Mas ainda deu para ver uma vastidão de números, num horizonte de muita claridade, rumo a um sol de brilho intenso.




Deveria ser a mostra que ainda existia para se conhecer a respeito desta composição divina, pensei.

Mas aí estava equivocado, uma nova inspiração, chegou para esclarecer, enquanto ainda cavalgava no número oito:

Aquela infinidade de números que acabara de enxergar, foi a visão do que representa a alma.








domingo, 19 de abril de 2015

Corvo, em nova aventura: Voando entre mundos.

Voar é tudo que um pássaro gosta de fazer, enfrentar a brisa, fazer acrobacias com os amigos e até desgrudar um pouco do grupo para algumas aventuras.

Ah como é bom voar, somente um corvo pode saber com intensidade o que é esse prazer. 






Mas não poderia imaginar que um vôo fosse levar a lugares tão distantes, dentro do mesmo espaço.


              Conto: Vôo entre mundos. Graaaak graaaak  graaaak : tradução: deixa que eu mesmo anuncio: 
                         Eu, o corvo, voando.


Que tal um dia de sol, com vento suave, temperatura agradável? ah e minhas queridas companheiras e companheiros para enfeitar nossas acrobacias.





Achei que aquela brisa favorável seria um bom incentivo para voar mais acima e segui em frente sem dar conta que distanciava dos demais.

Era uma manhã, havia sol. Não entendi por que em determinado momento começou a escurecer, isso me intrigou. Mas teimoso e motivado, segui na mesma direção.

Até que surgiu uma penumbra, como se estivesse para clarear o dia, mas com o sol ainda escondido. Estranha situação.





Notei então que sobrevoava um lugar lamacento, de um cheiro um tanto ruim, com formações rochosas, marron cinzento. 

voei então mais intensamente, conhecia o caminho de volta, mas não era o que pensava fazer naquele momento.

Ouvi gritos, humanos, animais, um pouco mais de vôo intenso e pude avistar um clarão adiante, até que em fim.

Atingi um lugar de muita beleza, lindas árvores, e sementes que adorei saborear. Descansei um pouco, circulei pelo lugar, quanta coisa linda.








Notei também que estava parcialmente transparente, engraçado, acostumara a me ver de penas negras. 






Não me importei com isso, o lugar era muito interessante, com diversas espécies de animais e pássaros.

Numa pedra grande, que havia no chão, vi uma jovem, que esticou seu braço, com a mão indicando para que pousasse.

E fui até ela, não me causava medo, ao contrario parecia me atrair a atenção.





Sorrindo ela me transmitiu uma pergunta: se estava gostando daquele lugar.

Graaak, graaaakk, graaaak* tradução: gostei muito, uma beleza.





Então a jovem, transmitiu: quero que você leve consigo as sementes que colheu aqui, e as espalhe no lugar onde vive, para que nasçam plantas como essas que você viu aqui.

Puxa, mas justo eu, sou apenas um corvo, posso espalhar algumas até, mas de onde venho há muito espaço...

Mas a jovem insistiu: você apenas começa, depois que as plantas crescerem, outros pássaros como você darão continuidade.

Assim, continuou a jovem, seu lugar também terá vários exemplares como este aqui, transmitindo a mesma sensação que você pôde sentir.

Graaak graaaak :  Puxa que bom, conte comigo.


Por um instante admirei a beleza que ela transmitia. Até imaginei, ah se ela tivesse penas como as minha, acho que iria namorar com ela...





Parece que entendeu meu pensamento, sorriu com muita simpatia. Acariciou minha cabeça, e esticando seu braço, indicou o caminho do vôo da volta.

Pensei naquele trecho escuro e lamacento, mas aí ela interveio e transmitiu:

Pense nos seus amiguinhos, nas boas coisas do seu lugar, e assim você não vai passar novamente por lá.

Graaak graaak graakk  *Foi um prazer, beijo pra você.

Saí voando na direção do vento novamente. 





Foram instantes mágicos, intensos, aquele lugar que visitei, não era tão distante, mas jamais havia visto nada parecido antes. Senti muita paz, muita alegria.

Nem precisei tanto esforço assim, parecia que o vento estava a me dirigir, e em poucos instantes, avistava meu grupo:  graaak graaak graaaak.  *Olá gente, estou de volta, ei minha gostosa, cheguei. 






Assim recomecei meus vôos com o grupo, e aqueles instantes ficaram comigo. Eu polimisei, como havia me pedido aquela jovem. 






E vocês querem saber como? ora vão assistir filmes e documentários, é tão fácil, é a vida, a gostosa vida de um pássaro.  Graaak graaak graaaak  *Fui, até qualquer dia.




sábado, 7 de setembro de 2013

Correios do outro mundo

        Aparentemente era mais um final de tarde, fim de um dia de trabalho naquela agência dos Correios.  

O sol brilhava, e daquele brilho, enquanto as pessoas saíam do trabalho,  outra movimentação ocupando o mesmo espaço começava a surgir.

Mas não parecia estar na mesma dimensão de espaço..



                        Correios do outro mundo

                        Por:  Roberto Zaghini



Aqueles que saíam deparavam-se com os que iam entrando, mas não notavam. Tudo muito claro como o brilho do sol, entrelaçando presenças.

Balcão de atendimento, cadeiras de espera mudaram um pouco de formato, mantendo a mesma função.

Um homem transparente e luminoso tomou lugar próximo ao balcão, e assentado, chamou o primeiro que aguardava atendimento.

Era uma senhora, de silhueta fina, com ar pouco entristecido.

- Pois então senhora, em que podemos ajudá-la ?

- Estou ainda muito triste, pensei que se fosse possível enviar algumas mensagens a certas pessoas que estiveram comigo, talvez pudesse aliviar meus sentimentos.

Nesse instante o homem luminoso fez um sinal com a mão e o braço erguido, indicando elevação, e outro colaborador também transparente, de cor pouco mais escura, tomou lugar logo mais atrás de onde seria um balcão, na direção à esquerda do atendimento.

Começou então a tocar uma canção suave, em coral, que trazia tranquilidade ao ambiente.

-Diga senhora, o que a incomoda nesse instante?

- Pessoas com quem convivi em família e até colegas de trabalho que não tive tempo de me despedir, foi tudo muito rápido. Um deles em especial. Havia sido cruel em outra existência e na passagem que ainda vive, precisava ser tratado da mesma forma, por desejo seu, uma imposição.

- Não faz ideia o quanto isso me doía ao coração, eu nem suportava mais tratá-lo com crueldade. Tentei várias vezes deixar esse papel, mas ele parecia irredutível.

 Sabia que a existência terrena não me pertencia em todo, mas somente em alguma parte. Mas não tinha como saber que teria de partir..  e ainda hoje aquelas cenas me vêem à alma e incomodam causando dor..

- Entendo perfeitamente, creio que a melhor solução seria uma mensagem dinâmica. O que a senhora acha?

- Estaria muito bom, se fosse possível.

-Concentremos então..

Repetiu nesse momento com o braço voltado para trás o gesto que já havia feito e o atendente que acionava a canção, aumentou um pouco o volume.

Dava pra notar que estava emocionado com olhos marejados.. enquanto manipulava algo de onde saía o som.

O senhor luminoso e a senhora colocaram as mãos sobre a testa encobrindo o semblante, e se concentraram por alguns instantes. Até que interromperam. E o homem luminoso indagou:

- Então a mensagem está pronta?

- Está sim, creio que esta será ideal.

Colocando a mão dentro de seu peito esquerdo, retirou um pequeno objeto que pulsava e brilhava ao mesmo tempo, em formato de caixinha.

- Que linda mensagem, acho que vai dar certo, vamos entregá-la diretamente.

Impressionante ou simplesmente natural para quem vive aquelas coisas. Se entendi bem, aquela caixinha poderia se comparar a um pen-drive, e seria enviada para fazer parte de uma dessas noites de sonho daquela pessoa citada.

Era esse o serviço que seria prestado naquela situação pelos Correios, do outro mundo.

Satisfeita com o atendimento a senhora parte em direção à luminosidade mais intensa que aguardava na saída daquela agência..

- O próximo..

Um homem aparentando idade avançada, diria que quase 70 anos, chega bem próximo, senta-se e começa a falar.

- Contribuí tantos anos de minha vida terrena nos Correios e não consigo aceitar que agora não sirvo mais, que não posso voltar a trabalhar no lugar que representa tudo pra mim. Quero poder voltar ao meu serviço.

- Você sabe muito bem que sua experiência naquela escola já passou. Deveria inclusive ter apreendido a lição maior do por que esteve  lá.  E por que acha que deve permanecer com essa mesma aparência terrena, se hoje teve a graça do transporte de plano?  Deveria vivenciar esta fase muito importante de sua vida. O amor o trouxe de volta, agora este é o seu lugar. 
Não tem mais nada a fazer naquele correio terreno.
Lá, com sua imagem, ainda que oculta, você só iria causar danos. Tenho certeza que não é isso que você quer.

- Jamais, eu só pretendia continuar lá.




- Mas não pode, não deve. E para que sinta de vez que foi o amor que o trouxe de volta, quero que venha fazer parte de nossa equipe, neste Correio.

Um sorriso foi se esboçando no semblante daquele homem. Seu corpo foi se iluminando, sua aparência rejuvenescendo, e já feito luz levantou-se.

O atendente chefe ergueu mais uma vez sua mão com o braço para trás, indicando sinal de elevação.  O auxiliar logo fez surgir aquela música vocalizada, em coral.  O homem já mais jovem e iluminado adentrou o espaço daquele Correio, para se juntar à sua nova equipe, seu novo trabalho.

Nesse instante mais alguém entra no salão de espera. Aproxima-se do atendente sem esperar que o chamem.

- Então ele aceitou, finalmente!

- Entendeu de vez sua nova condição, parece estar feliz agora. Espero que venha contribuir com nosso trabalho.

- Muito bom, fico mais aliviado agora. Mas realmente não estou tão feliz assim, pois enquanto estive por lá em nosso Correio, tentando traze-lo de volta, senti de perto o momento que atravessam.
De um lado a ganância terrena que a tudo consome pretendendo predominar.  De outro a incompreensão, que vem prejudicando a evolução desta escola.

- Sei do que está falando, mas todos que vivem este momento, já sabiam antes de reencarnar, o que lhes aguardava, o que teriam que passar. Escolheram viver estas coisas.

- Nem por isso deixam de sofrer e de causar sofrimentos.

- Verdade, mas creio  que possamos auxiliá-los. 

- Acho que é o momento, é sempre preciso e importante a participação. Vamos enviar nossa mensagem.

Mais uma vez o atendente ergue sua mão, desta vez com os dois braços  adiante de sua imagem, quase transparente. 

Diante desse gesto, um som com instrumentos de sopro que nem sei como descrever, lançou no ar uma sonoridade de paz, de entusiasmo.

Ambos colocaram então a mão direita sobre a testa, baixando levemente a cabeça como se estivessem concentrados, pensando.

Logo atrás toda numerosa equipe daquele lugar, se junta. Uma luz intensa toma conta de tudo. 

Pude sentir um calor no peito, promovendo uma agradável sensação de amor.